A DIETA DO DESERTO
Antigo remédio tribal pode tornar-se no medicamento do futuro no combate à obesidade.
Matthew McGarry
ABC News
Londres, 7 Agosto 2003
Uma planta silvestre usada há gerações por nativos do deserto do Kalahari na Ã?frica do Sul para os ajudar a evitar a fome nas areias quentes e secas, pode fazer deles milionários se for desenvolvido com sucesso a partir dela um medicamento a ser utilizado pelos ocidentais para perder peso.
“Os meus antepassados ensinaram-me como comê-la”, disse um membro da tribo San, um povo que vive no deserto do Kalahari, enquanto retirava os espinhos de um pedaço da planta parecida com um cacto chamada Hoodia. ”É a minha comida, a minha água e o meu remédio”.
De acordo com o porta-voz dos San, Andries Steenkamp, o seu povo consome o Hoodia desde há milhares de anos para eliminar os sintomas da fome e da sede durante os tempos de mais escassez e quando têm de sobreviver durante as longas expedições de caça.
“Hoodia acaba com a fome e também trata doenças”, disse Steenkamp à ABCNews. “Nós, os San, usamos a planta durante as caçadas para evitar a fome e a sede”.
Pfizer está a desenvolver o princÃpio activo
Agora as farmacêuticas estão a penetrar no conhecimento dos San e esperam ganhar uma fortuna desenvolvendo a partir do Hoodia uma pÃlula milagrosa para os milhões de americanos e europeus com excesso de peso.
Uma dessas empresas é a Pfizer, o gigante farmacêutico americano responsável pelo Viagra. Investiu 21 milhões de dólares pelos direitos de investigação e licenciamento do princÃpio activo do Hoodia, chamado P57.
A obesidade é um problema cada vez maior na sociedade ocidental, onde 100 milhões de pessoas têm peso perigosamente excessivo. Os médicos alertam para os perigos do excesso de peso, nomeadamente doenças do coração, diabetes, cancro e trombose, entre outros.
O P57 imita a acção da glucose (um açúcar) nos receptores cerebrais. “Enganando” o cérebro leva-o a “pensar” que o corpo está saciado, mesmo que não esteja, logo a pessoa não tem apetite.
Testes clÃnicos no Reino Unido indicam que o P57 pode reduzir consumo calórico em 2000 calorias diárias, tornando-se num sucesso astronómico para a multimilionária indústria dietética. Os responsáveis pelo desenvolvimento de um medicamento baseado no P57 esperam que esteja disponÃvel como medicamento receitável pelos médicos lá para 2007, após mais testes clÃnicos.
É ao mesmo tempo irónico que aqueles que comem demais beneficiem daqueles que mais fome passam.
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