Experimentando a Dieta de Cacto do Kalahari · BBC News

Experimentando a Dieta de Cacto do Kalahari


BBC News
Data: 30-05-2003

 

O correspondente Tom Mangold viajou para �frica e experimentou o inibidor de apetite Hoodia, uma planta que pode tornar milionários os nativos do Kalahari.

Imagine isto: uma cápsula orgânica que acaba com o apetite e ataca a obesidade.

Não tem efeitos secundários conhecidos e contém uma molécula que engana o cérebro fazendo-o crer que tem o estômago cheio.

No deserto do Kalahari profundo, cresce um cacto muito pouco atraente chamado Hoodia. Floresce em temperaturas extremamente elevadas e demora anos a amadurecer.

A tribo San do Kalahari, uma das mais antigas e primitivas tribos, tem consumido o Hoodia durante milhares de anos para afastar a fome durante as expedições de caça.

Quando cientistas sul-africanos efectuavam testes de rotina sobre o cacto, descobriram que continha uma molécula até então desconhecida que resolveram baptizar com o nome P57.

A licença foi vendida a uma empresa britânica, Phytofarm, que por sua vez vendeu os direitos de desenvolvimento e marketing à gigante Pfizer Corporation.

O Cacto da Fortuna.
Quando viajei para o deserto do Kalahari encontrei familias da tribo San.

É uma tribo triste, empobrecida e deslocada, ainda não ciente do facto de estar sentada em cima de uma mina de ouro.

Mas se o Hoodia funciona, os 100 mil membros da tribo San que mal conseguem sobreviver nos limites do deserto do Kalahari, tornar-se-ão milionários do dia para a noite em direitos de propriedade (royalties) negociados pelo seu advogado sul-africano Roger Chennells.

E precisarão de toda a ajuda que poderem obter para assegurar o dinheiro.

Actualmente muitos nativos fumam grandes quantidades de marijuana, sofrem de alcoolismo e não possuem qualquer propriedade nem o sentido do valor do dinheiro.

A verdade é que nenhum ainda se apercebeu com clareza do que a molécula mágica representa para os humanos do outro lado do mundo.

Açúcar no sangue.
De acordo com a Fundação Britânica do Coração (“British Heart Foundation”), 17% dos homens e 21% das mulheres são obesos, enquanto 46% dos homens e 32% das mulheres têm peso a mais.

Por isso o potencial de mercado do produto fala por si mesmo.

O Dr. Richard Dixey, da Phytofarm, explica como funciona a molécula P57:

“Existe uma parte do cérebro chamada hipotálamo. Dentro do hipotálamo, situado no centro do cérebro, existem células nervosas que detectam a presença de um açúcar chamado glucose.

Quando comemos os níveis de açúcar no sangue aumentam por causa da comida e estas células começam a lançar para o corpo a informação de que estamos cheios.

O que o Hoodia parece conter é uma molécula que é cerca de 10 mil vezes mais activa que a glucose.

Vai para o centro do cérebro e faz estas células lançarem a informação de que estamos cheios. Contudo não comemos e não queremos comer.”

Ensaios clínicos
Dixey organizou os primeiros testes do Hoodia em animais. Os ratos, uma espécie que come literalmente tudo o que encontra, deixaram de comer completamente.

Quando os primeiros testes em humanos foram conduzidos, um grupo de pessoas com obesidade mórbida foi colocada numa “unidade fase 1”, um local bastante parecido com uma prisão.

As únicas coisas que os voluntários podiam fazer durante todo o dia era ler, ver televisão e comer.

Metade deles tomou Hoodia, a outra metade um placebo. Quinze dias depois o grupo do Hoodia tinha reduzido em 1000 as calorias diárias que consumia.

Foi um sucesso estrondoso.

A versao completa na lingua original pode ser encontrada em nossa Seçao de Noticias.


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